O preço do leite ao produtor registrou queda expressiva de 22,6% em 2025, reflexo da combinação entre produção interna recorde (crescimento de 7,2%) e elevado volume de importações, que manteve um déficit de cerca de 2 bilhões de litros equivalentes na balança comercial. Em dezembro, o litro chegou a ser negociado a R$ 1,99, segundo o Centro de Inteligência do Leite (Cileite/Embrapa). A sobreoferta pressionou os valores, enquanto o consumidor final pagou 3,62% menos pela cesta de lácteos.
Para 2026, as perspectivas apontam para um cenário de ajuste. O preço do leite já dá sinais de reação no mercado spot, onde as transações são feitas à vista, indicando um movimento de recuperação. A aproximação da entressafra também deve contribuir para a valorização do produto. No entanto, a recente valorização do real frente ao dólar pode tornar o leite importado mais competitivo, exigindo atenção dos produtores.
Pesquisadores da Embrapa recomendam planejamento estratégico e adoção de tecnologia como caminhos para aumentar a produtividade e reduzir custos. Apesar da queda nos preços, o custo de produção subiu apenas 3,0% em 2025, abaixo da inflação (4,3%), o que amenizou os impactos negativos. A estabilidade nos preços de insumos como milho e soja contribuiu para margens apertadas, mas não negativas, para produtores eficientes.
O grande desafio estrutural da cadeia segue sendo a dependência do mercado interno. Enquanto a produção cresceu 7,2%, o consumo não passou de 2%. Para romper esse ciclo, o setor precisa ampliar a competitividade e conquistar espaço no mercado externo. O acordo Mercosul-União Europeia, embora ainda dependa de ratificação, pode abrir portas, desde que o Brasil eleve seus padrões sanitários e de qualidade. O preço do leite ao produtor em 2026 dependerá diretamente da capacidade de equilibrar oferta, custos e inserção internacional.











