Safra nacional de grãos deve atingir 342,7 milhões de toneladas em 2026, segundo o 4º Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (12) pelo IBGE. O volume representa uma leve retração de 1% em relação ao recorde histórico de 2025 (346,1 milhões de t), mas supera em 0,8% a projeção de dezembro. O desempenho é sustentado pela safra nacional de grãos puxada pela soja, que alcançará 172,5 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica, com alta de 3,9% sobre o ano anterior e crescimento de 3,4% na produtividade média, estimada em 60 sacas por hectare.
A oleaginosa consolida-se como o principal vetor de crescimento do agronegócio brasileiro, respondendo por mais da metade de toda a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas do país. A área plantada com soja avançou 0,5% e atingiu 48 milhões de hectares, expansão que ocorre mesmo diante de preços internacionais abaixo das expectativas dos produtores. O gerente do LSPA, Carlos Barradas, atribui o resultado à conjugação de fatores climáticos favoráveis e ganhos reais de produtividade. “A safra brasileira está turbinada pela produção da soja, que é recorde. Até o momento, as condições climáticas beneficiam as lavouras da primeira safra”, afirmou.
A recuperação da Região Sul é um dos destaques da safra nacional de grãos 2026. O Rio Grande do Sul, severamente afetado pela estiagem em 2025, projeta colheita de 21,2 milhões de toneladas de soja, crescimento expressivo de 55,4% em relação ao ciclo anterior, com ganho de 57,5% no rendimento médio. O Paraná mantém-se como segundo maior produtor, com 22,2 milhões de toneladas (alta de 3,9%), enquanto Goiás figura na quarta posição, com 19,1 milhões de toneladas, avanço de 2,3% sobre a projeção anterior, embora ainda 5,8% abaixo do volume colhido em 2025. Acesse os dados no Sidra .
O Mato Grosso segue na liderança absoluta, com 48,5 milhões de toneladas de soja e participação de 30,3% na produção total de grãos do país. A Região Centro-Oeste concentra 48,9% de toda a safra nacional de grãos (167,5 milhões de t), seguida pelo Sul (27,8%), Sudeste (8,8%), Nordeste (8,2%) e Norte (6,3%). Apesar do desempenho recorde da soja, outras culturas importantes registraram retração: o milho cai 5,6%, o arroz em casca recua 7,9% e o algodão herbáceo encolhe 11,0%. O feijão, por outro lado, apresenta leve alta de 0,9%. A área total colhida no país está estimada em 79,6 milhões de hectares, crescimento de 0,4% sobre 2025. O próximo levantamento do IBGE, referente a fevereiro, será divulgado em 13 de março.











