A Câmara Municipal de Anápolis aprovou, na sessão desta quarta-feira (20), em segunda e definitiva votação, o projeto de lei que institui o “Dia Municipal dos Legendários”, a ser celebrado em 23 de julho. A proposta, de autoria do vereador Wederson Lopes (União Brasil), recebeu quatro votos contrários, registrados pelos vereadores Rimet Jules (PT), Professor Marcos Carvalho (PT), Domingos Paula (PDT) e Alex Martins (PP). Agora, o texto segue para sanção do prefeito Márcio Corrêa (PL), que deve aprová-lo nos próximos dias.
O projeto havia sido aprovado em primeira votação na segunda-feira (18), quando apenas dois parlamentares votaram contra. Na terça-feira (19), a análise em plenário foi adiada por falta de quórum, situação que levou Wederson a se desculpar com os cerca de 11 membros do movimento que acompanhavam a sessão.
A proposta inclui a data no calendário oficial de eventos do município e prevê homenagens anuais a participantes do grupo. Cada vereador poderá indicar um “legendário” para receber a honraria. Durante as discussões, Wederson destacou que o movimento está presente em 17 países, reúne mais de 140 mil homens e já foi reconhecido em legislações de estados como Mato Grosso do Sul e Espírito Santo, além de cidades como Belo Horizonte.
Apesar da defesa do autor, a iniciativa gerou críticas no plenário e fora dele. Parlamentares da oposição questionaram a relevância da criação de mais uma data comemorativa diante de pautas consideradas prioritárias para a cidade. “Não é algo que impacta de fato a vida do cidadão anapolino”, disse um vereador que votou contra.
O movimento Legendários se apresenta como uma iniciativa cristã voltada à transformação de homens por meio de retiros e treinamentos. Contudo, a organização também atua como empresa, oferecendo “experiências” que podem custar de R$ 1.490 a mais de R$ 80 mil, dependendo do formato e local do evento. Em Anápolis, a entidade está registrada desde abril de 2024 como “Legendários Goiás Assessoria e Eventos Ltda”, com sede no bairro São João.
A aprovação reacende o debate sobre a mistura entre fé, negócios e política. Enquanto apoiadores ressaltam os valores cristãos defendidos pelo grupo, críticos lembram episódios polêmicos recentes, como o ataque de abelhas durante um encontro em Caldas Novas, além das críticas recorrentes ao alto custo das atividades.











