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Caso João Victor: Polícia aponta tentativa de desviar investigação e indicia funcionários da Equatorial

Indiciamento aconteceu após a PC concluir que houve tentativa de interferência na investigação, com a apresentação de uma prova que não correspondia ao fio responsável pelo acidente fatal


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 30/01/2026 - 07:57

Equatorial
João Victor morreu após sofrer um choque elétrico, ao entrar em contato com um cabo energizado que estava no chão, em setembro de 2025. (Imagem: Reprodução)

Informação revelada em primeira mão pelo Jornal O Popular aponta que dois servidores da Equatorial foram indiciados por fraude processual no inquérito que apurou a morte do menino João Victor Gontijo de Oliveira, de 10 anos, em Anápolis. A criança morreu após sofrer um choque elétrico, ao entrar em contato com um cabo energizado que estava no chão, em setembro de 2025.

Segundo a apuração do O Popular, o indiciamento aconteceu após a Polícia Civil concluir que houve tentativa deliberada de interferência na investigação, com a apresentação de uma prova que não correspondia ao fio responsável pelo acidente fatal.

Tentativa da Equatorial em desviar a investigação

De acordo com as informações publicadas pelo O Popular, os servidores teriam entregado à polícia um cabo de fibra óptica, alegando que aquele seria o material envolvido no acidente. No entanto, a perícia constatou que o cabo apresentado não tinha sinais de energização, nem marcas compatíveis com descarga elétrica.

Já o fio que, de fato, provocou o choque em João Victor apresentava evidências claras de aquecimento, carbonização e passagem de corrente elétrica, reforçando que se tratava de um cabo energizado de forma irregular. Para os investigadores, a troca do material teve como objetivo confundir a apuração e deslocar a responsabilidade pelo ocorrido.

Cena alterada antes da perícia

Outro ponto destacado na reportagem do O Popular é que o local do acidente não foi devidamente preservado. A polícia identificou que houve intervenções na área antes da chegada da perícia oficial, o que comprometeu a análise técnica e dificultou a reconstrução exata das circunstâncias da morte do menino.

Essa conduta foi considerada determinante para o indiciamento por fraude processual, já que, conforme o entendimento da Polícia Civil, houve ação consciente para alterar elementos relevantes da investigação.

Consequências e andamento do caso

O indiciamento por fraude processual não representa condenação, mas indica que a Polícia Civil reuniu indícios suficientes de irregularidade para responsabilizar criminalmente os servidores envolvidos. O inquérito agora segue para análise do Ministério Público, que vai decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.

Ainda conforme O Popular, apesar da gravidade do caso, ninguém foi indiciado por homicídio, em razão das dificuldades técnicas e jurídicas para individualizar responsabilidades diretas pela manutenção da rede elétrica naquele ponto específico.

Procurada, a Equatorial Goiás informou que “não teve acesso nem tomou conhecimento formal de qualquer indiciamento relacionado ao caso mencionado, uma vez que o procedimento investigativo tramita sob segredo de justiça e não houve, até o momento, qualquer comunicação oficial às partes ou à companhia por parte das autoridades competentes”. A distribuidora também lamentou o ocorrido com João Victor e reforçou o compromisso da empresa “com a ética, a transparência e a verdade”.

A distribuidora explicou que, desde a ocorrência, “atua de forma colaborativa e transparente, prestando todos os esclarecimentos solicitados pelos órgãos responsáveis em todas as
etapas da apuração, tanto durante a investigação técnica quanto no curso do inquérito policial, sempre com absoluto respeito às instituições e aos trâmites legais”.
A concessionária ainda ressaltou que “somente após eventual acesso regular aos autos poderá avaliar a veracidade, o contexto e o conteúdo de informações divulgadas
indevidamente, bem como adotar as medidas jurídicas cabíveis, caso necessário”.

A empresa também reiterou o compromisso da concessionária “com a segurança, o cumprimento da legislação vigente e a colaboração institucional, mantendo-se à disposição
das autoridades para os esclarecimentos que se fizerem necessários”.

O que disse a Equatorial (atualização 02/02)

A Equatorial Goiás refuta de forma categórica qualquer narrativa que, sem respaldo técnico comprovado e antes da análise pericial regular dos autos, sugira que a Companhia teria deliberadamente entregue às autoridades policiais cabeamento de telecomunicações diverso daquele supostamente envolvido no acidente investigado. Tal alegação não encontra qualquer lastro com os procedimentos adotados no local pela equipe da Equatorial e que consta no processo.

A Companhia não possui qualquer motivo que justifique a substituição, manipulação ou alteração de materiais. Todas as suas atuações ocorreram de forma transparente, no local dos fatos e na presença das autoridades policiais competentes.

Ressalta-se, de forma enfática, que conforme apuraram os peritos e consta na investigação, o equipamento que se encontrava energizado era a luminária de iluminação pública, ativo que pertence, é operado e mantido pelo Poder Público Municipal. Independentemente de qual cabo de telecomunicações eventualmente estivesse em contato com o equipamento. A responsabilidade pela iluminação pública energizada não é da distribuidora de energia.

A concessionária repudia ainda a divulgação de informações supostamente extraídas de inquérito policial que tramita sob rigoroso sigilo, ao qual nem mesmo a Companhia — embora citada na investigação — teve acesso, mesmo após manifestação formal.

Por fim, a Equatorial Goiás lamenta a fatalidade ocorrida com o João Victor. A empresa reafirma seu compromisso com a verdade, a transparência e a apuração técnica rigorosa dos fatos, confia na atuação responsável das instituições e reserva-se o direito de adotar todas as medidas cabíveis para resguardar sua imagem, seus direitos e o correto esclarecimento do ocorrido.

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