Skip to content

Irregularidades em suplementos expõem consumidores a riscos graves, alerta especialista

Com 65% dos produtos reprovados pela Anvisa, médico Dr. José Israel Sanchez Robles reforça que uso sem orientação profissional pode causar danos sérios ao organismo


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 05/12/2025 - 13:35

Suplementos riscos
(Foto: Reprodução)

O consumo de suplementos alimentares no Brasil cresce em ritmo acelerado, mas esse aumento vem acompanhado de um quadro preocupante de riscos. Levantamentos recentes da Anvisa mostram que cerca de 65% dos produtos analisados até julho de 2025 apresentaram algum tipo de irregularidade — número que inclui falhas na composição, dosagens inadequadas e ausência de testes essenciais que comprovam pureza e estabilidade. O dado reforça a fragilidade regulatória de um setor guiado por promessas de emagrecimento rápido, ganho de massa muscular e melhora da performance.

Para o médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles, os resultados são um sinal de alerta importante. “Diante dos altos índices de irregularidades, evidencia-se que uma parcela significativa dos suplementos atualmente disponíveis no mercado não atende aos padrões mínimos de segurança exigidos”, afirma. Ele destaca que a combinação entre fiscalização limitada e crescente popularização cria um campo fértil para efeitos adversos potencialmente graves.

O especialista observa que o uso indiscriminado é cada vez mais comum. “É comum que pacientes iniciem o uso simultâneo de diversos produtos, adquiridos em academias, redes sociais ou sites internacionais, muitas vezes sem pleno conhecimento sobre a composição e os riscos do que estão consumindo”, explica. Essa prática, segundo ele, aumenta a exposição a substâncias estimulantes não listadas nos rótulos, ingredientes de uso farmacológico e concentrações exageradas de vitaminas, podendo comprometer fígado, rins e até o sistema cardiovascular.

Robles reforça que a banalização do uso é um erro perigoso. “É fundamental adotar uma postura cautelosa, com orientação profissional adequada, tratando o uso de suplementos com a devida seriedade — não apenas pelo risco de ineficácia ou desperdício financeiro, mas, principalmente, pelos potenciais prejuízos à saúde”, alerta. Para ele, um dos mitos mais prejudiciais é acreditar que produtos vendidos livremente são sempre inofensivos. “O fato de um produto ser comercializado como alimento não o isenta de riscos. Muitos suplementos, na prática, apresentam característiPrefeitura de Anápolis afirma que investiu mais de R$ 200 milhões em saúde entre maio e agostocas semelhantes às de medicamentos, o que demanda uma cautela ainda maior em seu uso”, afirma.

O nutrólogo frisa que a suplementação só deve ser realizada quando há indicação real. “Todo suplemento deve ser prescrito somente após avaliação clínica e exames específicos. Fora desse contexto, o consumidor se expõe a riscos e, frequentemente, não alcança resultado algum”, alerta.

Diante desse cenário, Robles orienta que o público verifique a regularização do produto junto à Anvisa, desconfie de promessas exageradas e evite compras em marketplaces sem procedência comprovada. A prioridade, segundo ele, deve ser sempre a integridade física. “O suplemento adequado, utilizado de forma correta, pode ser benéfico. Mas o uso equivocado, sem orientação profissional, pode gerar consequências sérias e onerosas”, conclui.

Leia também: Prefeitura de Anápolis afirma que investiu mais de R$ 200 milhões em saúde entre maio e agosto