A decisão final do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) contra a ex-candidata à Prefeitura de Anápolis, Eerizania de Freitas (UB), e seu vice, Samuel Gemus (DC), encerrou uma longa disputa jurídica, mas inaugurou um novo capítulo em favor do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa — potencialmente muito mais oneroso para a dupla. Com o acórdão que rejeitou o último recurso apresentado, permanece intacta a multa de R$ 80 mil imposta pelo tribunal devido ao descumprimento reiterado de ordens judiciais que proibiam a veiculação de propagandas com conteúdo falso durante a campanha de 2024.
O relator do processo enfatizou que houve “flagrante desrespeito à autoridade judicial”, uma vez que as publicações irregulares continuaram mesmo após determinações expressas da Justiça Eleitoral. Esse entendimento, agora definitivo, fortalece substancialmente a base jurídica para que o prefeito eleito, Márcio Corrêa (PL), ingresse com uma ação cível de indenização por danos morais. Diferente da multa eleitoral, que é revertida ao Estado, uma eventual condenação na esfera cível seria paga diretamente à vítima, podendo alcançar valores muito superiores.
As investigações também revelam que um site criado fora de Goiás serviu como ferramenta central na disseminação das notícias falsas usadas contra Corrêa e o ex-prefeito Antônio Gomide (PT). O portal, segundo apurado, tinha como finalidade exclusiva interferir no processo eleitoral anapolino, publicando conteúdos que associavam ambos a crimes graves em uma tentativa clara de manipular a opinião pública. A ação coordenada evidencia que o caso ultrapassa o embate político e entra no campo de uma operação profissional de desinformação.
Apesar da estratégia agressiva, o plano não obteve sucesso nas urnas. A chapa de Eerizania, apoiada pelo então prefeito Roberto Naves (Republicanos), sofreu derrota expressiva — reflexo tanto da rejeição ao grupo político quanto do repúdio popular às táticas utilizadas. O TRE-GO, ao reafirmar a condenação, destacou a gravidade da disseminação de fake news, registrando que práticas desse tipo ameaçam a credibilidade das instituições e não serão toleradas em um Estado Democrático de Direito.
Com a decisão consolidada, o caso agora ganha novos contornos: além da penalidade financeira já aplicada, Eerizania e seu vice podem enfrentar uma disputa cível milionária que promete se estender para além da arena eleitoral.











