O uso de medicamentos para emagrecimento, especialmente as “canetas emagrecedoras” à base de semaglutida, como Ozempic e Wegovy, e agentes como a tirzepatida — um agonista dual de GLP‑1 e GIP — tem se tornado cada vez mais comum. Embora esses fármacos tenham indicação formal para o tratamento do diabetes tipo 2 e, no caso de alguns, da obesidade, o crescimento do uso com finalidade estética reacendeu o debate sobre possíveis efeitos adversos, entre eles a perda de massa óssea em decorrência da redução acelerada do peso corporal.
A perda de massa óssea não é uma doença em si, mas um processo que pode ocorrer quando o organismo deixa de receber estímulos mecânicos e nutricionais adequados. De acordo com o médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles, a perda de peso rápida constitui um dos principais fatores de risco para alterações na densidade mineral óssea. “A redução acelerada do peso corporal diminui a sobrecarga mecânica exercida sobre o esqueleto, o que pode resultar em perda progressiva de densidade óssea ao longo do tempo”, afirma o especialista.
Medicamentos que reduzem o apetite e retardam o esvaziamento gástrico podem contribuir indiretamente para esse cenário, especialmente quando o paciente passa a ingerir menos proteínas, cálcio, vitamina D e outros nutrientes essenciais. “O risco à saúde não reside unicamente no uso do fármaco, mas na forma inadequada com que ele é frequentemente empregado. A adoção de dietas excessivamente restritivas, sem o devido acompanhamento e reposição nutricional, potencializa a perda de massa óssea e eleva o risco de osteopenia e osteoporose, sobretudo em indivíduos predispostos”, afirma José Israel.
Casos relatados nas redes sociais, como o de uma cantora americana que associou o uso do Ozempic ao diagnóstico de osteoporose, chamaram atenção do público no último ano, mas especialistas ressaltam que perda óssea e osteoporose são condições distintas. “A osteoporose é uma condição crônica e progressiva, caracterizada pela diminuição da densidade mineral óssea e aumento do risco de fraturas. No entanto, a perda de massa óssea, quando diagnosticada precocemente, pode ser reversível mediante intervenção adequada, incluindo reestruturação nutricional, prática regular de exercícios com sobrecarga e, quando necessário, suporte farmacológico”, pontua o médico.
Segundo o especialista, a prevenção da perda óssea associada ao emagrecimento passa, necessariamente, por acompanhamento médico contínuo e mudanças sustentáveis no estilo de vida. “Nenhuma intervenção para redução de peso deve ser realizada sem uma avaliação clínica criteriosa, exames laboratoriais completos e monitoramento da saúde óssea, sobretudo em casos de perda ponderal significativa”, ressalta. O médico enfatiza, ainda, a relevância da prática regular de exercícios físicos – especialmente aqueles que envolvem impacto e resistência –, por sua comprovada eficácia na estimulação da formação e manutenção da massa óssea.
O médico reforça que os fármacos utilizados para emagrecimento, como as canetas emagrecedoras, podem ser aliados valiosos no tratamento da obesidade, desde que prescritos com critérios técnicos rigorosos. “Quando há indicação clínica bem estabelecida, associada a uma alimentação equilibrada, ingestão adequada de proteínas e micronutrientes, além da prática regular de atividade física, o risco de comprometimento da massa óssea é significativamente reduzido”, conclui o especialista.











