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Médico alerta sobre pesquisa que mostra que excesso de peso já atinge mais de 60% dos adultos no Brasil

Dados do Ministério da Saúde mostram avanço da obesidade entre homens e mulheres de todas as idades; especialista aponta fatores alimentares, comportamentais e falhas nas políticas de prevenção


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 06/02/2026 - 10:20

excesso de peso
(Foto: Reprodução)

A obesidade mais que dobrou no Brasil entre 2006 e 2024, segundo dados recentes divulgados pelo Ministério da Saúde. A taxa passou de 11,8% em 2006 para 24,3% em 2023, mantendo uma trajetória contínua de crescimento ao longo de quase duas décadas, sem períodos de estabilização ou queda. No mesmo intervalo, o excesso de peso — categoria que inclui sobrepeso e obesidade — avançou de 42,6% para 61,4% da população adulta, atingindo atualmente seis em cada dez brasileiros.

Os números constam do sistema Vigitel e indicam que o aumento ocorre de forma semelhante entre homens e mulheres. Entre eles, a obesidade passou de 11,4% para 23,8%. Entre elas, o índice subiu de 12,1% para 24,8%. O excesso de peso também avançou nos dois grupos, superando 60% entre homens e aproximando-se desse patamar entre mulheres.

Para o médico nutrólogo Dr. José Israel Sanchez Robles, os dados revelam um padrão consolidado. “Os dados demonstram que o ganho de peso deixou de ser uma ocorrência isolada para se configurar como um fenômeno estrutural, diretamente associado a fatores relacionados ao estilo de vida contemporâneo, aos padrões alimentares inadequados e ao ambiente obesogênico no qual grande parte da população está inserida”, afirma. Segundo o especialista, “a obesidade representa a manifestação mais grave desse processo crônico e multifatorial, estando fortemente relacionada à maior incidência de doenças metabólicas e cardiovasculares, como o diabetes mellitus tipo 2, a hipertensão arterial sistêmica e diversas cardiopatias”.

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A análise por faixa etária aponta que o avanço é mais intenso na meia-idade, especialmente entre pessoas de 35 a 44 anos, grupo em que a prevalência de obesidade passou de 12,8% para 27% entre 2006 e 2023. Ainda assim, o crescimento é observado em todas as idades adultas. “mesmo entre adultos jovens, faixa etária na qual os índices ainda são relativamente inferiores, observa-se uma tendência contínua de crescimento, o que representa um sinal de alerta importante para as próximas décadas, com impacto potencial sobre a carga global de doenças crônicas na população”, avalia José Israel.

No campo da alimentação, o relatório indica avanços limitados. O consumo regular de frutas e hortaliças aumentou, mas permanece abaixo do recomendado. Em contrapartida, o consumo de alimentos ultraprocessados segue elevado. “A redução do consumo de refrigerantes é um“A redução do consumo de refrigerantes é um dado positivo, mas isolado”, explica o nutrólogo. “Quando analisamos o padrão alimentar como um todo, observamos que os alimentos ultraprocessados seguem ocupando espaço significativo na dieta, especialmente entre as faixas etárias que apresentam os maiores índices de crescimento do excesso de peso.”

Os resultados também evidenciam o distanciamento das metas do Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, que previa conter a obesidade abaixo de 20% até 2030. “Os dados indicam que o país está fora da trajetória planejada”, conclui o médico. “Sem a implementação de medidas mais efetivas voltadas à prevenção, à educação nutricional e à promoção regular da atividade física, a tendência é de manutenção e agravamento desse cenário epidemiológico.”