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Nova liderança de Márcio Corrêa na Câmara mal começa e já causa atrito na base

Substituição de Jean Carlos por José Fernandes, do MDB, expõe tensão interna no PL e amplia ruídos em meio à disputa estadual entre liberais e emedebistas


Por Carlos Nathan em 26/02/2026 - 08:20

Nova liderança de Márcio Corrêa na Câmara mal começa e já causa atrito na base
(Fotos: Allyne Laís)

A troca de liderança do prefeito Márcio Corrêa (PL) na Câmara Municipal de Anápolis provocou os primeiros desgastes públicos dentro de sua própria base aliada já na primeira semana. A mudança retirou da função o vereador Jean Carlos (PL) – que diz ter sido escolha própria – e alçou ao posto o vereador José Fernandes (MDB), movimento que, embora estratégico do ponto de vista administrativo, gerou incômodo entre parlamentares do Partido Liberal.

A escolha ocorre em um momento politicamente sensível. José Fernandes é considerado nome próximo ao prefeito e já foi citado como possível pré-candidato a vice na chapa de Corrêa em 2028. O gesto fortalece o emedebista no cenário local e amplia sua projeção política, inclusive em um contexto em que o MDB desponta como adversário direto do PL na corrida pelo governo estadual.

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O vereador Suender Silva (PL) foi um dos que manifestaram desconforto com a decisão. Embora tenha reconhecido a competência pessoal de José Fernandes, Suender apontou que a escolha tem implicações partidárias relevantes, especialmente diante da polarização entre PL e MDB em Goiás. Para ele, entregar a liderança do governo de Márcio Corrêa a um representante do MDB na Câmara soa contraditório em meio à pré-campanha estadual, na qual o senador Wilder Morais (PL) se coloca como pré-candidato ao governo.

Nos bastidores, a movimentação também dialoga com a relação do prefeito com lideranças do MDB, como o vice-governador Daniel Vilela, apontado como possível adversário do PL em 2026. A troca na liderança, portanto, vai além de uma simples reorganização interna: revela um delicado equilíbrio entre alianças administrativas e disputas partidárias futuras.

Se por um lado Corrêa reforça pontes institucionais, por outro enfrenta o desafio de manter coesa sua base liberal, que já demonstra sinais de inquietação logo nos primeiros movimentos da nova liderança.