O transporte coletivo continua sendo discutido em Anápolis e, nesta segunda-feira (8), durante sessão ordinária, foi informado que já existem quatro assinaturas para a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal, destinada a apurar possíveis irregularidades no contrato firmado entre o Município e a Urban, concessionária responsável pelo serviço. Para que o pedido seja protocolado, são necessárias oito adesões.
Entre os pontos levantados, estão denúncias de que a empresa não teria cumprido cláusulas contratuais firmadas há uma década, como a entrega anual de 24 novos pontos de ônibus e a renovação gradativa da frota. A falta de acessibilidade, a má conservação dos veículos, a manutenção precária do terminal urbano e as ameaças recorrentes de paralisações por parte dos trabalhadores reforçam as críticas.
O tema ganhou ainda mais força após a recente discussão sobre o aumento da passagem. Na semana passada, a Urban obteve na Justiça o reconhecimento da chamada tarifa técnica em R$ 8,19 por passageiro, valor que cobre os custos reais do sistema. Hoje, no entanto, o usuário paga R$ 5,25 no bilhete antecipado ou R$ 6,00 no embarque. A diferença, em tese, deveria ser compensada por subsídios municipais — algo que não vem ocorrendo de forma integral, segundo a empresa.
Diante desse cenário, vereadores apontam a necessidade de aprofundar a fiscalização. Durante audiência pública realizada na última sexta-feira (5), representantes da Urban, da Agência Reguladora Municipal (ARM) e da sociedade civil discutiram alternativas. Ficou definido que a ARM e a concessionária devem apresentar, até 30 de setembro, um plano conjunto de melhorias.
Enquanto isso, cresce a pressão por soluções estruturais. Alguns parlamentares defendem a adoção da Tarifa Zero, enquanto outros cobram maior apoio financeiro do governo estadual e federal para custear gratuidades já existentes. O Executivo, por sua vez, aprovou aporte emergencial de R$ 687,9 mil para recompor salários dos trabalhadores, mas reconhece que a medida é paliativa. Com queda drástica no número de passageiros — de 2 milhões por mês em 2015 para cerca de 600 mil atualmente —, o sistema acumula déficits. O contrato da Urban vence em 2025, e até lá o município terá de decidir se mantém a concessionária, revisa o modelo ou busca nova solução para garantir a mobilidade urbana.











