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Uso precoce de smartphones por jovens ainda é alerta para saúde física e mental; entenda

Estudos indicam maior risco de depressão, obesidade e privação de sono entre jovens que recebem o aparelho muito cedo, segundo especialistas


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 27/12/2025 - 08:56

Uso precoce de smartphones por jovens ainda é alerta para saúde física e mental; entenda
(Foto: Reprodução)

Entregar smartphones a crianças no início da adolescência tornou-se um gesto quase automático para muitas famílias, geralmente associado à segurança, à comunicação e à inclusão social. No entanto, evidências científicas recentes vêm lançando luz sobre os possíveis efeitos negativos dessa prática quando ela ocorre de forma precoce, especialmente sobre a saúde física e mental dos jovens.

Um amplo estudo norte-americano, que acompanhou mais de dez mil adolescentes de diferentes regiões dos Estados Unidos, identificou uma associação consistente entre possuir um smartphone aos 12 anos e o aumento do risco de sintomas depressivos, obesidade e sono insuficiente. Os resultados chamam atenção não apenas pelo número de participantes, mas pela repetição dos padrões observados ao longo do acompanhamento.

Para o médico intensivista e nutrólogo José Israel Sánchez Robles, os dados reforçam uma preocupação que já vinha sendo observada na prática clínica. “O smartphone não é apenas um meio de comunicação. Ele reorganiza a rotina do adolescente, compete diretamente com o sono e estimula comportamentos sedentários em uma fase crítica do desenvolvimento físico e emocional”, afirma o especialista.

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Outro ponto sensível do estudo é a idade de início do uso. Quanto mais cedo o adolescente recebe o primeiro aparelho, maiores são os riscos identificados no ano seguinte. “Isso sugere que não estamos falando apenas de características individuais da criança, mas de uma mudança real no ambiente em que ela vive”, explica o médico. Segundo ele, mesmo jovens que passaram a usar o smartphone aos 13 anos já apresentaram piora na qualidade do sono e aumento de sintomas depressivos.

Apesar disso, o especialista ressalta que a tecnologia não deve ser demonizada. “Para muitos adolescentes, o smartphone facilita vínculos sociais, acesso à informação e aprendizado. O problema não é o aparelho em si, mas a forma, o momento e as condições em que ele é introduzido”, destaca.

Na avaliação de Sánchez Robles, a decisão dos pais deve ser encarada com responsabilidade. “Adiar a posse do smartphone, estabelecer regras claras e manter supervisão ativa são estratégias simples que podem reduzir riscos importantes. Entregar um celular a uma criança é, na prática, uma decisão de saúde que precisa ser tomada com critério”, conclui.