A Expedição Safra Goiás 2025/26 encerrou seu ciclo na última quinta-feira (22) com um evento técnico no Sindicato Rural de Anápolis. A iniciativa, considerada o maior levantamento técnico de safra do estado, percorreu cerca de 30 municípios e mais de 3 mil quilômetros neste ciclo. O projeto realizou 260 amostragens de produtividade para coletar dados precisos sobre custos e rentabilidade da agricultura goiana.
Durante o encontro, o presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, destacou a importância da expedição para o planejamento do produtor rural. Ele ressaltou que a metodologia, validada pela Embrapa e conduzida por técnicos especializados, garante transparência e assertividade aos números apresentados. Schreiner citou como exemplo a precisão da edição anterior, que previu corretamente a maior média de produtividade de soja do Brasil.
A Expedição Safra Goiás também evidenciou o fortalecimento de culturas estratégicas para o estado, como milho, cana-de-açúcar e algodão. Segundo Schreiner, o protagonismo crescente de Goiás se deve ao avanço tecnológico incorporado à produção. A coleta de dados reais e não “maquiados” aproxima produtores, instituições e parceiros do setor.
Além de validar a alta produtividade, o projeto funcionou como uma grande ponte entre o campo e a cidade. Os mais de 3 mil quilômetros percorridos promoveram troca de informações e diálogo com autoridades locais. Schreiner agradeceu a receptividade do Sindicato Rural de Anápolis pelo papel fundamental no fortalecimento do agronegócio regional. A expedição consolida-se como uma ferramenta essencial, baseada em ciência, para o planejamento estratégico e a transparência do agronegócio goiano.
Expedição revela que custo de produção devora margem do produtor em Goiás
O resultado da Expedição Safra Goiás 2025/2026 vai além da leve queda na produtividade e aponta um cenário de pressão financeira extrema no campo. Segundo o levantamento, o custo médio para produzir uma saca de soja no estado consome 55 sacas por hectare, situação que praticamente anula a rentabilidade quando se considera o arrendamento de terras. O presidente da Faeg, José Mário Schreiner, alerta que a margem líquida estimada para esta safra é a menor dos últimos anos, caindo para cerca de 17%, o que transforma o momento atual em “uma questão de sobrevivência” para o agricultor.
A Expedição Safra Goiás 2025/2026 mapeou os desafios que definem a atual safra no estado: uma produtividade de soja entre 66,5 e 68,5 sacas por hectare, leve queda impulsionada pelo atraso e irregularidade das chuvas, e um custo de produção que pressiona severamente a rentabilidade do produtor. O cenário se complica para frente, já que o plantio tardio da soja reduz a janela ideal para o milho, aumentando o risco de restrição hídrica para a segunda safra. Com juros elevados, os produtores já adotam mais cautela e reduzem investimentos em tecnologia, uma decisão que, no médio prazo, pode comprometer ainda mais os rendimentos.











