O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), se manifestou publicamente nesta sexta-feira (30) sobre os desdobramentos da investigação que apura a morte do menino João Victor Gontijo de Oliveira, de 10 anos, ocorrida em setembro de 2025, na Vila Jussara. Em vídeo publicado nas redes sociais, o gestor classificou como graves as informações reveladas pelo Jornal O Popular, que apontam o indiciamento de dois funcionários da Equatorial Goiás por fraude processual no curso do inquérito policial.
Segundo Márcio Corrêa, o relatório final da Polícia Civil indica uma tentativa deliberada de induzir as autoridades ao erro, com o objetivo de atribuir à Prefeitura de Anápolis uma responsabilidade que, de acordo com a investigação, não era dela. “Desde o primeiro momento, nossa postura foi agir com responsabilidade, prestar apoio à família e colaborar com as investigações. Sem criar versões, sem transferir culpas e sem fugir das providências que um caso tão grave exige”, afirmou o prefeito.
O chefe do Executivo municipal também relatou um episódio pessoal envolvendo a vítima, destacando o impacto emocional do caso. “Poucos dias antes dessa tragédia, eu conheci o João Victor em Anápolis. Naquele encontro, ele me presenteou com uma correntinha. Isso me marcou profundamente. Defender a memória do pequeno João Victor é, para mim, uma questão de honra”, disse. Ao final da fala, Márcio Corrêa cobrou que a Equatorial venha a público prestar esclarecimentos sobre o caso.
De acordo com o relatório da Polícia Civil de Goiás, dois funcionários da concessionária foram indiciados por apresentarem à autoridade policial um cabo de fibra óptica com identificação da Prefeitura de Anápolis, alegando falsamente que aquele teria sido o fio responsável pelo choque elétrico que matou a criança. A perícia, no entanto, concluiu que o material apresentado não possuía qualquer sinal de energização, aquecimento ou dano elétrico compatível com o acidente.
O laudo técnico apontou que o cabo realmente envolvido na morte de João Victor apresentava marcas evidentes de queima, carbonização e aquecimento extremo. A investigação também identificou que houve intervenções no local do acidente antes da chegada da perícia oficial, o que comprometeu a preservação da cena e dificultou a identificação da empresa responsável pela instalação irregular do fio.
Apesar de não ter sido possível individualizar autoria para indiciamento por homicídio culposo, a Polícia Civil concluiu que a morte foi resultado de uma cadeia de falhas técnicas e omissões, incluindo instalação irregular de cabos, ausência de identificação conforme normas técnicas e falhas de fiscalização. O inquérito agora segue para análise do Ministério Público, que decidirá sobre eventual denúncia. A Equatorial Goiás, por sua vez, afirmou não ter sido oficialmente comunicada sobre os indiciamentos e reiterou compromisso com a transparência e a colaboração com as autoridades.











