A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um alerta preocupante sobre o avanço dos cigarros eletrônicos entre crianças e adolescentes em todo o mundo. De acordo com a entidade, a popularização dos dispositivos — vendidos muitas vezes com sabores e embalagens atrativas — tem criado uma nova geração viciada em nicotina, o que ameaça décadas de progresso na luta contra o tabagismo.
O relatório divulgado nesta terça-feira (7) aponta que, em vários países, o consumo de vapes já supera o de cigarros tradicionais entre jovens. O problema é que, apesar de o marketing sugerir que eles sejam uma alternativa “menos nociva”, muitos dispositivos possuem altas concentrações de nicotina e outras substâncias tóxicas, podendo causar dependência em poucas semanas.
A OMS destaca que os fabricantes vêm adotando estratégias semelhantes às usadas pela indústria do tabaco no passado, com propagandas coloridas, influenciadores digitais e a venda de produtos com aparência de gadgets tecnológicos. “Estão viciando uma nova geração”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em comunicado.
Outro ponto de alerta é o fato de que muitos países ainda não têm regulamentação específica para os vapes, o que facilita o acesso de menores de idade. Em alguns lugares, a venda é proibida, mas a fiscalização é falha — e os produtos acabam chegando facilmente às mãos dos adolescentes.
No Brasil, a comercialização e importação destes dispositivos seguem proibidas pela Anvisa desde 2009, mas o uso se espalhou, principalmente entre jovens. A agência discute novas medidas para reforçar a fiscalização e combater o contrabando.
Especialistas alertam que a exposição precoce à nicotina pode afetar o desenvolvimento cerebral, aumentar o risco de ansiedade e depressão e servir como porta de entrada para o tabagismo tradicional.
A OMS pede que governos adotem políticas rígidas de controle, como restrições à publicidade, aumento de impostos e campanhas educativas voltadas ao público jovem. “Não podemos permitir que a indústria repita a história com outro produto”, reforçou Tedros.











