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Queda de cabelo ligada a remédios emagrecedores preocupa especialistas; entenda

Médico fala sobre fatores nutricionais e metabólicos que podem causar condição


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 20/11/2025 - 14:34

Queda de cabelo ligada a remédios emagrecedores preocupa especialistas; entenda
(Foto: Reprodução)

O uso crescente de medicamentos voltados ao emagrecimento e ao controle do diabetes, como os agonistas de GLP-1 — entre eles Ozempic e Wegovy — tem despertado atenção para um efeito adverso cada vez mais mencionado por pacientes: a queda de cabelo. Embora náuseas, constipação e mal-estar gastrointestinal continuem sendo as reações mais frequentes, o relato de perda de fios vem ganhando espaço em redes sociais e consultórios.

Profissionais de saúde explicam que o fenômeno está relacionado às mudanças metabólicas rápidas provocadas pelo tratamento. O nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles esclarece que “a queda de cabelo observada em alguns pacientes que fazem uso de agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, não ocorre devido a uma ação direta da medicação sobre os folículos pilosos. Na maioria dos casos, trata-se de uma consequência indireta da perda de peso acelerada, que pode induzir um estresse sistêmico suficiente para alterar, de forma temporária, o ciclo capilar.”

Esse quadro, chamado eflúvio telógeno, surge quando o organismo reage a estressores físicos ou nutricionais, deslocando uma quantidade maior de fios para a fase de queda. No contexto dos medicamentos de GLP-1, a combinação de perda rápida de peso e menor ingestão calórica pode diminuir níveis essenciais de micronutrientes. Como explica o médico, “observa-se, em alguns casos, que pacientes em uso de agonistas do receptor de GLP-1 apresentam dificuldade em manter uma ingestão adequada de proteínas e micronutrientes. Quando esse déficit nutricional ocorre, o organismo tende a priorizar funções fisiológicas vitais, redirecionando recursos metabólicos e deixando estruturas como os anexos cutâneos — incluindo os folículos capilares — em segundo plano.”

A situação pode ser ainda mais sensível para pessoas predispostas geneticamente à alopecia androgenética, que podem perceber piora do quadro. Apesar disso, o eflúvio telógeno costuma ter recuperação espontânea, desde que o fator desencadeante seja corrigido. O Dr. José reforça que “a recomendação é que o paciente comunique ao médico qualquer episódio de queda capilar durante o uso da medicação, a fim de que seja realizada uma avaliação clínica completa, incluindo exames laboratoriais. Apenas com um diagnóstico preciso é possível estabelecer a conduta terapêutica mais apropriada para cada caso.”

O tratamento pode envolver ajuste do fármaco, reposição nutricional e até estimuladores de crescimento capilar. Segundo o especialista, “a abordagem terapêutica deve ser direcionada à causa subjacente. Em grande parte dos casos, a correção de desequilíbrios nutricionais e o controle da velocidade da perda ponderal são suficientes para que o ciclo capilar se normalize e o crescimento dos fios seja restabelecido.”

Ele alerta ainda para os riscos do uso sem orientação: “trata-se de fármacos com mecanismos de ação bem estabelecidos, mas que também apresentam potenciais efeitos adversos relevantes. Seu uso deve ser restrito a indicações clínicas apropriadas, sempre com acompanhamento médico, e não como alternativa de conveniência para fins exclusivamente estéticos.”

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